No final dos anos 50; o brasileiro acreditou no Brasil; foi nessa época que o país testemunhou o milagre econômico de Juscelino, a construção de Brasília e o surgimento dos gênios da raça Pelé, Maria Esther Bueno e Éder Jofre, no esporte, e Tom Jobim e João Gilberto, na música.

Tudo isso é hoje uma lembrança já distante, que não reconforta o brasileiro – acostumado a ironizar a ideia do “Brasil que dá certo”. Não é de hoje que o país virou a terra do 7 a 1 diário.

POKER ONLINE: O BRASIL QUE DÁ CERTO

O mineiro de 29 anos Felipe Salgado – apesar de conterrâneo – não é, obviamente, Pelé nem Juscelino; é um trabalhador, mas não como tantos; um trabalhador muito bem sucedido e que integra um microcosmo do Brasil que – contrariando o resto do país – vem dando muito certo (e há bastante tempo): o poker online.

Nascido em Entre Rios, cidade de 14 mil habitantes localizada no sudeste de Minas Gerais, Salgado conquistou no último domingo a novo partypoker MILLION – torneio semanal que retornou no ano passado e já reúne a cada domingo os melhores nomes do field online.

Jogando no partypoker como TufAya13, Salgado é o quinto grinder do país a conquistar o torneio, que retornou no final do ano passado, e teve apenas 19 edições.

Um desempenho hegemônico que consolida a ideia de que os brasileiros fazem parte da elite da modalidade. Para se ter uma ideia, o Reino Unido, único país com mais de um título no MILLION tem três.

Salgado conquistou pelo título a premiação de US$ 146.761 (cerca de R$ 750 mil, na cotação atual), que coroa uma carreira extremamente lucrativa – para se ter uma ideia, apenas em sua conta mais antiga, mr.salgado30, o jogador tem lucro de mais de US$ 540 mil e nunca ficou negativo, mesmo jogando desde 2010. Considerando todos os sites, está 900k acima.

UNIÃO QUE DÁ SAMBA

O prêmio fantástico do MILLION, que se aproxima da casa de 800 mil reais, será dividido com os sócios do Samba Poker Team. Uma recompensa para o jogador e para uma equipe – conduzida por figuras importantes do grind nacional, como Kelvin Kerber, Fabiano Kovalski e Guilherme Cheveau – que vem formando alguns dos melhores jogadores do país.

Salgado, aliás, é o segundo membro do Samba a cravar o MILLION. O primeiro título da equipe foi conquistado na segunda edição do torneio, em novembro de 2019, por Bio Salomão, que também ganhou espaço neste blog.

Um sucesso, acredita Felipe, intimamente ligado ao crescimento das equipes. “O Brasil cresceu assustadoramente no poker, acredito que com o crescimento dos times de alto nível, não perdemos nada para outros países”, diz o jogador, que abandonou o curso de sistemas de informação, na Universidade Federal de Lavras, quando tinha 20 anos.

CONVITE DE KELVIN E FUTURO NO TIME

“Ter a coragem de abandonar a faculdade para me dedicar a algo meio incerto, em meados de 2010 mudou minha vida. Assim como entrar para o Samba, três anos atrás”, conta Salgado.

Em 2017, que já tinha uma carreira de respeito decidiu, após conversar com Kelvin Kerber, já na época um antigo amigo, entrar para o projeto do Samba.

Hoje, após uma carreira bem lucrativa, Salgado poderia pensar em seguir sozinho, sem dividir uma cota de seus lucros, mas ainda não pensa nisso.

“É melhor maneira que encontrei de continuar competitivo e evoluir no jogo depois de tantos anos jogando e estudando por conta”, diz o campeão do MILLION.

A união de Salgado com a turma de Kelvin Kerber vem dando ‘samba’; é, definitivamente, um exemplo de Brasil que dá certo. Independentemente de quaisquer clichês, Felipe Salgado não tem do que reclamar.

Confira, abaixo, a entrevista que o campeão do MILLION concedeu ao blog.

Qual a sua idade e onde você nasceu?
Tenho 29 anos; nasci em Entre Rios, Minas-MG.

FORMAÇÃO DE VIDA E NO POKER

Qual é a sua formação fora do poker?
Comecei a fazer faculdade de sistemas de informação, na Universidade Federal de Lavras, mas parei o curso para me dedicar profissionalmente ao poker.

Quando (com que idade) e como você começou a jogar?
Comecei a jogar com os amigos em home game amistosos quando tinha 15 anos, quando entrei na faculdade, comecei a estudar mais o jogo.

Quais foram as pessoas que te influenciaram e fizeram a diferença para você chegar a esse ponto da sua carreira?
Com certeza, os head coachs do Samba Team e meus amigos lá dentro com quem mais discuto sobre poker: (Guilherme Carmo) Guizão, Ricardo Ragazzo, João Valli,(Rafael Monteiro) LiroLa e, principalmente, o Kelvin Kerber, de quem sou amigo há muitos anos, antes mesmo de entrar para o Samba.

Qual o momento fundamental na sua carreira para você chegar onde está hoje?
Ter a coragem de abandonar a faculdade para me dedicar a algo meio incerto, em meados de 2010. Posteriormente, a entrada para o samba há quase 3 anos.

SAMBA TEAM

Você é um jogador com ótimos resultados há muitos anos, mas joga ainda joga para um time – o Samba. Por que para você ainda é interessante jogar para investidores?
(Estar no time) É melhor maneira que encontrei de continuar competitivo e evoluir no jogo depois de tantos anos jogando e estudando por conta.

Como começou sua carreira no Samba? Quem te convidou e como conheceu o pessoal do time?
Sou muito amigo de Kelvin (Kerber), (Guilherme) Cheveau, Pitão (Peter Patrício), há anos. Um dia sentei para conversar com o Kelvin e deu tudo certo.

JOGO, TREINAMENTO, ROTINA E CARREIRA

Quais características – técnica ou mental – do seu jogo fazem com que você se destaque?
Acho que sou muito forte mentalmente, apesar de situações adversas e de pressão, consigo exercer um bom papel tecnicamente.

Muitos querem saber quais os segredos de um jogador lucrativo. Como funciona sua rotina de treinamento?
Estudar e me dedicar ao máximo, e claro, ter uma boa rotina de grind. Isso que tento fazer.

Com quais jogadores você conversa para melhorar o seu jogo? E o que, especificamente, cada um agrega no seu jogo? Com meus companheiros de Samba, no qual tenho mais contato.

Quais jogadores mais inspiram você, sejam brasileiros ou estrangeiros?
Acredito que brasileiro Kelvin, Fabiano Kovalski e Helio Neves. Entre os estrangeiros, meus preferidos são os suecos Lena e C.darwin.

Como você vê seu futuro no poker? Tem algo que você não realizou que queira muito realizar?
Penso em cada vez mais me aprimorar como jogador mesmo, meu maior objetivo é cada vez ser melhor e continuar competindo em alto nível.

Você é o quinto brasileiro a vencer o MILLION do partypoker. O único outro país com mais de um título é o Reino Unido. Como explicar tanto sucesso do poker nacional?
O Brasil cresceu assustadoramente no poker, acredito que com o crescimento dos times de alto nível, não perdemos nada para outros países.

POWERFEST E PARTYPOKER

Que impacto você acha que o partypoker vem tendo na reta dos profissionais?
Acho que é um site que só tem a crescer cada vez mais, tratam muito bem os jogadores profissionais e são muito corretos em suas decisões. Grande parte do volume de torneios da maioria dos profissionais atualmente está no site. O 215 Million está sendo um sucesso.

Sobre o torneio, que momento/mão você considerou mais importante ou inesquecível (seja bom ou ruim)?
Acredito que foi a circunstância. Faltando 8 jogadores, perdi um AK x 88 que me deixou com 6blinds, mas na FT tudo deu certo e consegui o título.

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